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Maternidade Julio Dinis

Maternidade Julio Dinis

João de Espregueira Mendes teve uma intensa atividade social e política, tendo sido uma personalidade marcante da cidade do Porto entre os anos 40 e 60 e exerceu vários cargos públicos, entre os quais, Presidente da Junta Provincial do Douro e Presidente da Junta Distrital do Porto.

Dedicou especial atenção à maternidade Júlio Dinis, tendo sido seu diretor entre 1949 e 1962. Em junho de 1945, desenvolveu uma obra pro-infância verdadeiramente modelar com o objetivo de realizar uma ação intensa de valorização das crianças do concelho, dotando-a de uma vasta rede de serviços de assistência materno-infantil, a qual abrangia Massarelos, Foz do Douro, Aldoar, Ramalde, Ameal, Santo António das Antas, Areosa, Freixo e São Roque da Lameira.

A Delegação do Instituto Maternal com sede no Dispensário da Rainha D. Amélia e presidida pelo Sr. Dr. João de Espregueira Mendes, foi inaugurada pelo Sub-Secretário de Estado da Assistência Social. Esta Delegação tinha iniciado a obra há pouco mais de um ano com a colaboração dedicada dos Srs. Drs. Macedo Chaves, José Rodrigues Gomes, Gonçalves de Azevedo (filho) e Óscar Ribeiro. O Dr. João Espregueira Mendes referiu que se tratava de um grande dia para todos, pois via assim ampliada a sua ação de assistência materno-infantil.

O Delegado do Instituto Maternal mencionou que há já muitos anos existia a vontade de resolver o problema da mulher e da criança e o Dr. Júlio Cardoso frisou que, para além da Delegação, também a Maternidade Júlio Diniz e a Faculdade de Medicina iniciaram uma admirável ação de amparo à mulher grávida. Também mencionou que foi construído o Abrigo dos Pequeninos e instalaram-se cinco lactários. Posteriormente, com o Prof. Doutor Almeida Garrett, pediatra e puericultor dos mais ilustres, foram criados o Instituto de Puericultura e o Curso das Enfermeiras Visitadoras.

O trabalho desta Delegação consistia, até ao momento, num primeiro estudo das necessidades da cidade sob o ponto de vista de assistência materno-infantil e, em segundo lugar, na resolução prática e tão eficiente quanto possível dessas necessidades.

A cidade foi dividida em seis zonas de maior/menor superfície e em cada uma dessas zonas instalaram-se um centro assistencial, uma consulta pré-natal e de ginecologia e várias consultas de pediatria/puericultura e lactários, mediante o número de crianças a assistir. Ainda enumerou que ficaram em atividade dezanove consultas de pediatria/puericultura, seis consultas de obstetrícia e de ginecologia e doze lactários.

Na sede da Delegação foi instalado o serviço central do Inquérito Assistencial, de forma a centralizar toda a informação recolhida junto das famílias assistidas para, desta forma, melhorar o serviço da farmácia privativa do Dispensário da Rainha D. Amélia, com o propósito de transformá-la na Farmácia Central da Delegação.

No entanto, ainda havia muito para fazer em prol da assistência materno-infantil. O Dr. Júlio Cardoso declarou que para além do seu entusiasmo, igualmente manifestado pelo Sub-Secretário e Diretores do Instituto Maternal, esperava poder contar com o auxílio do Estado, mas que, esclareceu, já era uma realidade admirável pois mais de metade da dotação total concedida para o Instituto Maternal fora atribuído pelo atual titular da Assistência Social – Dr. Trigo de Negreiros, que tinha dedicado o seu entusiasmo a esta obra.

O Dr. Trigo de Negreiros colmatou fazendo um elogio à cidade do Porto: “Eu sei bem o que valem no Porto, a caridade, a solidariedade e o espirito de iniciativa. Só daqui podia partir uma realização como esta que tantos benefícios vai prestar”. O exemplo deve ser imitado por todas as cidades do País…”.

João de Espregueira Mendes fundou o Abrigo Maternal, atualmente Lar Luísa Canavarro que tem como principais objetivos:

* Proporcionar formação integral das mulheres tendo em vista uma melhoria significativa da qualidade de vida que permita uma evolução normal da gravidez, do nascimento e do desenvolvimento da criança;

* Contribuir para o exercício responsável da maternidade e da paternidade;

* Aquisição de competências pessoais, sociais e humanas, tendo em vista respetiva inserção familiar e social;

* Incentivar a formação escolar e profissional.

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